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Cursos de administração diferem por causa de enfoques em certas disciplinas

FERNANDA CALGARO
LUISA ALCANTARA E SILVA
da Folha de S.Paulo

Além de ser a graduação com a maior oferta anual de vagas no país (eram 520 mil em 2.836 instituições em 2006, segundo o Censo da Educação Superior), os cursos de administração podem ser bem diferentes uns dos outros, o que dificulta a escolha do vestibulando.

Algumas instituições dão um peso maior para certas disciplinas, como marketing ou hotelaria, e a graduação acaba tendo um enfoque nessa área.

Antes, o próprio nome do curso (exemplo: administração hospitalar, administração em recursos humanos etc.) dava pistas do que estava por vir. Com uma mudança na lei, que determinou que, a partir do segundo semestre de 2007, não houvesse mais habilitação, os cursos ficaram mais generalistas, inclusive no nome, e passaram a ser simplesmente chamados de administração.

Mesmo sem as habilitações, a variedade de ênfases no currículo continua. Uma dica para conhecer o perfil da faculdade é analisar a grade curricular e o número de horas de cada disciplina -que costumam estar no site. Isso ajuda a descobrir que disciplinas são priorizadas.

A forte tradição em publicidade e marketing da ESPM, por exemplo, faz com que administração traga uma carga maior na área. “O curso é completo e cumpre todos os requisitos para a profissão, com muitas horas de finanças e métodos quantitativos, mas claro que marketing tem um peso maior do que em outras instituições”, diz Marcos Amatucci, diretor nacional de graduação em cursos de administração da ESPM.

O bacharelado no Senac-SP, por sua vez, tem como base o empreendedorismo, diz Daniel Garcia Corrêa, coordenador do núcleo de empreendedorismo. “Esse é um diferencial importante dentro da empresa e não só para ter o negócio próprio.”

No Mackenzie, o vestibulando pode escolher entre dois cursos de administração: um generalista e outro com ênfase em comércio exterior.

Por sua localização, no interior de SP, o curso de administração da Unesp de Tupã foca o agronegócio. “O conhecimento pode ser aplicado em empresas rurais”, afirma Gessuir Pigatto, coordenador do curso.

Na Faap, além de haver muitas disciplinas de empreendedorismo no curso, é possível o aluno optar pela ênfase em hotelaria no segundo semestre.

Outras faculdades têm grades generalistas, como a FEA (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária) da PUC-SP. “A idéia é ensinar competências para lidar com vários aspectos de organizações de todos os tipos”, diz Elisabete Adami P. dos Santos, vice-diretora da faculdade.

A graduação da FEA-USP também forma alunos com visões mais gerais. “O aluno sai daqui sabendo de tudo, finanças, marketing etc.”, afirma Hamilton Luiz Corrêa, vice-coordenador do curso.

Na FGV (Fundação Getulio Vargas), há administração de empresas e pública, como conta André Samartini, assessor da coordenação da graduação. “O diploma é o mesmo, mas há uma diferença curricular: uma com enfoque em indústrias, serviços e corporações, e a outra mais voltada para as diferentes esferas de governo.”

A Fecap também tem um curso generalista. “O mercado absorve aqueles com visão mais sistêmica”, diz Edison Simone, pró-reitor de graduação.

Independentemente de o curso ter foco ou não, é ao longo da faculdade que o aluno conhece as suas áreas de interesse. É o caso de Fabio Bottaro, aluno da ESPM, que participou do simulador de derivativos virtual da BM&F no início do ano e foi o campeão de faturamento. Com um capital inicial fictício de R$ 150 mil, ele “ganhou”, em quatro meses, R$ 250 milhões no site, que funciona como um treino para investir na bolsa. “Quero trabalhar com isso um dia.”

Fonte: Folha de S. Paulo

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