Administração em Chicago, Rio de Janeiro e Recife | Faculdade de Administração
Alfredo Passos
18 de maio de 2009
Encontrei em primeiro lugar, o bom humor carioca. Fui primeiro na barraca daquele famoso camelô que distribui balas para as pessoas que circulam na rua, independente se vão comprar ou não em sua barraca. Um show de vendas. Animado, me pergunta: e quando nós não tivemos crise?
O que mudou agora, ele me conta, é que as mulheres andam decidindo muito mais que os homens. Mas como assim perguntou?
- Professor, cortar custos, reduzir preços e adiar compras é uma tarefa que as mulheres andam fazendo melhor que os homens.
Com esta compreensão sobre a crise e seus “fregueses” como ele gosta de chamar, ainda perguntei, mas o que mudou na venda dos produtos.
- Professor, na verdade a vontade de comprar é a mesma, só é preciso facilitar um pouco mais. Sabe como é, esticar o prazo para a prestação caber no bolso.
Conclusão 2: se americanos mudam para marca própria, brasileiros que vivem circulando pelo centro do Rio de Janeiro, mostram mais confiança no seu “vendedor” do que nas marcas. Afinal é o vendedor que promete assistência técnica e garantia de troca.
Próxima parada: Recife.
Apenas uma lembrança histórica.
Após a invasão holandesa, muitos comerciantes vindos de Portugal - chamados pejorativamente de “mascates” - estabelecem-se no Recife, trazendo prosperidade à vila.
O desenvolvimento do Recife foi visto com desconfiança pelos olindenses, em grande parte formada por senhores de engenho em dificuldades econômicas.
O conflito de interesses políticos e econômicos entre a nobreza açucareira pernambucana e os novos burgueses deu origem à Guerra dos Mascates (1710-1711), durante a qual o Recife foi palco de combates e cercos, segundo a Wikipédia.
Bem, ponto de partida, Praça do Diário para as três principais ruas do centro do Recife: Duque de Caxias, Nova e Imperatriz. Mesma idéia, vou falar com vendedores de rua e lojistas (micro e pequenas empresas).
Para facilitar a comparação escolho um ítem da chamada categoria “cama, mesa e banho: lençóis”. Como todo estudo qualitativo, seleciono a amostra: 4 lojistas e 4 vendedores de rua.
Em se tratando de um dia de semana, encontro um movimento considerado “razoável” e uma temperatura de 26 graus centígrados em Recife, em Chicago terminei o dia da visita com 16 graus centígrados.
Mas e a diferença para Chicago ou Rio de Janeiro?
Pois é, também poderia chamar esta crônica (prefiro a artigo), de “aprendendo com os vendedores de rua”.
Seja em Chicago, Rio de Janeiro ou Recife, a primeira coisa que um vendedor precisa decidir todos os dias, é o que vender.
Se faz frio, artigos de inverno. No Rio de Janeiro pelo início das chuvas, sombrinhas e guarda-chuvas. O mesmo em Recife.
Segunda decisão: quantidade. Quantas sombrinhas ou quantos guarda-chuvas. Vendedor de rua não quer fazer estoque e sim, vender hoje para salvar o almoço e o jantar…amanhã é outro dia.
Terceira decisão: ponto-de-venda. É preciso estar nas ruas mais movimentadas, onde as pessoas circulam entre escritórios, restaurantes e claro, lojas comerciais. Além é claro de pensar na exposição e demonstração dos produtos.
Quarta decisão: margem de lucro. É preciso vender mas também é preciso ganhar, afinal o ganho de hoje, é para pagar parte do empréstimo tomado para comprar os produtos, comprar mais produtos e também garantir a sobrevivência não só do vendedor mas também da família que pode estar na sua dependência.
Conclusão
Seja em Chicago, Rio de Janeiro ou Recife, pelo menos estas quatro decisões precisam ser tomadas diariamente, quer por micro, pequenos empreendedores ou vendedores de rua.
E para isso é preciso conhecer o mercado, os “fregueses”, a concorrência (se baixar o preço ao longo do dia, também é preciso tomar alguma outra ação) e fornecedores.
Afinal novos fornecedores podem representar mais ganhos e assim garantir não só o almoço e o jantar de hoje, mas quem sabe o de amanhã também.
Especialmente os vendedores de rua desenvolvem a habilidade de conhecer novos fornecedores, estabelecerem um preço de venda e acima de tudo, entender muito bem, que para uma empresa sobreviver, é preciso ganhar dinheiro, ou seja, ter lucro em cada uma das vendas realizadas.
Alfredo Passos, info@kmchouse.com.br, é Partner da Knowledge Management Company, empresa especializada em Estratégias Empresariais e Inteligência Competitiva.Publicitário, Doutorando em Administração, Mestre em Comunicação e Mercado, Pós-Graduado pela ESPM, com Certificado em Diagnóstico Empresarial pela The Association for Overseas Technical Scholarship – AOTS do Japão.
Fonte: http://www.administradores.com.br/artigos/administracao_em_chicago_rio_de_janeiro_e_recife/30081/

























